sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PRESENÇA ANTIGA





Senhor, como longe de ti viver,
se tudo em mim teu renascer respira?
Tua já presença ao meu redor não vira,
pois perdida estava eu a arrefecer.

E agora estaco à estrada sem saber
se às tortuosas rochas aluíra,
se a esta amarga solidão anuíra,
ele, que me imbuia sem eu perceber.

Desfaleço nesta sina feroz!
Preciso ouvir de novo aquela Voz!
Antes que a minha terna face encrueça.

Liberta-me agora, Albatroz!
Leva-me rápido às mãos de meu Algoz!
Antes que nesta cova eu enrijeça.


Soneto de Della Coelho
Imagem: google.com

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