segunda-feira, 19 de setembro de 2016

BELA FLOR



Sou já passado, sou descrente.
Sou a pobre do olhar envidraçado.
Sou o espontâneo falar amordaçado.
Sou a aclamada de indecente.

Vive a magoar-me toda a gente
fluindo o meu destino desgraçado
laçando-me fiel ao cruel fado
da Bela que viveu amargamente.

E eu que tanto ria em tenras horas...
E eu que deleitava em más desoras...
Sou a que a vida passa com desdém.

Ansiando as alegrias das senhoras...
Delirando c` o orvalho  nas auroras...
Acordo do meu sonho e sou ninguém.

Poema de Della Coelho
Imagem de Florbela Espanca: google.com

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