domingo, 2 de março de 2014

SINA ATROZ



Encravada a alma em sólida ferida,
algemada feito serva da má hora,
reage em fraco sorriso à aurora
na ânsia da busca à seta homicida.

Há muito esqueceu-se a alegria falida
no vazio imensurável da demora;
foi, assim, transformada a dama em escora
no reinado da sorte já vencida.

Pena, arranca as seivas do lamento!
Alarda a minha morte pelo vento...
Quiçá  possa ele ouvir à tua voz.

Cova, enterrarei a ti este tormento!
Esfacelar-me - ei neste momento
sepultando enfim esta sina atroz.

Poema de Della Coelho


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