domingo, 23 de março de 2014

MIGALHAS REPARTIDAS

Palco

A luz apagada!
A alma sufocada
come Migalhas Repartidas!

Sonhos escurecidos
pela penumbra d’um teatro
onde a emoção era transferida!

Hoje a ilusão da platéia
é a aluna Doroteia
que a aplaude em sua lida!






Fraude

Esta dor é que me dá
Voz de Poeta.





Caixa


Alma presa... encarcerada
dama... ama
desesperadamente... clama
as chaves da solidão.

À espreita...às portas
vozes... respondem
esquecem... se esquecem... se esquecem... se esquecem
de um grito coração

Escuta... escute
ninguém... nada... uma canção:

Sem palavras...
... palavras...
... acalmam...
... exalam...
... cores...
... dores...
... Amores..
- NÃO SE VÃO!





Música


Os dedos traçam...
claras
Negras....negros....pardos?
Nada sabem
e tudo entendem da minha história.





Minha voz


O Sentimento que me invade
domina todas as vontades
faz-me Poeta p’ra gritar esta emoção!

Alma torturada... nem ouvida nem amada
sozinha busca ... nada... sonho...ilusão...
Ó Florbela!...amada...des ...amada...
Tua voz acalma o coração!

Nem torto..nem fingidor...
O sofrimento é canção só de uma Flor!
Assim como tu...
perdida...
dolorida...
nunca vista...
Alma de luto sempre incompreendida!





Permissão Poética

A emoção calada
sufocada
em tentativas frustradas
de ser saciada
encontra na canção
o escape de sua emoção
preservando a Razão!

Quem está a sofrer
à minh’ alma vai entender
sabendo que não há nada o que fazer.

As lágrimas escorrerão
e solitárias secarão
até a morte aquiescer.







Amor Condicional

Tentei parar os astros,
mas a gravidade os pressionou.

- INOBSERVÂNCIA!

Tentei buscar o céu,
mas muito mais alto ele ficou.

_ INDOLÊNCIA!

Tentei apagar o sol,
mas tanto calor à água secou.

_ INSCIÊNCIA !

Tentei baixar o mar,
mas as lágrimas-chuva o transbordou.

_ INSIPIÊNCIA!

Tentei pegar as estrelas,
mas esta cadência as derrubou.

_ INSOLÊNCIA!

Tentei reunir os pássaros,
mas a liberdade os dispersou.

- ININTELIGÊNCIA !

Tentei te fazer feliz,
mas tua intolerância não deixou.

- INSIGNIFICÂNCIA!




Sábado

Todos esperam com muita ansiedade
enquanto o martírio é a minha serenidade.
As Vestes! Folias! Vozes! Festas! Baile!
No entanto a solidão a mim invade.

A lembrança sabe que não foi sempre assim...
Felicidade ninguém tirava de mim,
mas ao tirano amor eu me entreguei
e presa neste castelo eu me encontrei!

No alto desta Torre grito por socorro
esperando que alguém me dê algum consolo!
Meu Príncipe a estas horas ainda não vem
que está em algum lugar, certo com alguém.

























Solidão


Solidão acostumada,
confusa se afastada
por um intrépido amor.

A'm coração já enlaçada
trama, arma, mata
e expulsa o traidor!

De volta à sua alma
se faz enraizada
nas entranhas de um sonhador.





Perdida


Alma assim... sozinha tem fim!
Inútil ser que vaga sem saber
o que pode acontecer
se seu amor nunca aparecer!

Cantas os versos
dos poetas prediletos
que como tu não souberam viver?

Acalmas tua alma
que ainda podes encontrar
um poeta a te falar
o remédio da solidão.






Clama no silêncio o grito incompreendido da Flor!
Esplendoroso,
Doloroso,
Valoroso,
Estranho Amor!
Cantado!
Ansiado!

Mas quando só... inútil dor.





 Sonho

Brisa luz
Tênue leve
Serena paz

Nudez fresca a contemplar o mar

soar perfumado
odor cristalino
fonte a jorrar

Teus olhos... cor de Lar... abraçam, acariciam... me carregam ao altar

velas sussurradas
poesias perfumadas
a ternura esperada

Nossas Almas Azul... Lilás...
se mesclam na dança universal
atingindo o cosmo sensual

Teus olhos esvanecem
Teu vulto escurece

O sacrário vira pó.





Cantiga de dizer  
                  
Minha voz não cala
o sentimento não pára
preciso cantar

não há o que fazer
o som não pode aparecer
só os olhos podem falar

sofrimentos escondidos
sonhos desaparecidos
teses a estudar

tua música não pára
tua voz não me embala
preciso sonhar!





Conto de Poeta


Era uma vez um Poeta que não sabia calar.
Sua mãe muito brava,
sofrida pelas dores da vida,
estava sempre a exclamar:

- Poeta, cala-te! Essa tua voz que quer cada vez mais delirar!

O Poeta sozinho
sonhava encontrar no quartinho
um Leitor a lhe esperar.

Nessa angústia de morte
o Poeta com sorte
aos Ratos pôs-se a declamar!






Ilusão
        
Um dia teu olhar uniu-se a esta dor!
Em tantas lágrimas... um sorriso aflorou.
Música terna tua voz doce a embalou.
Nada dizias mas tudo sabias deste sofredor.

Músicas paternas
Versos escolhidos
Casto Amor distinguido!

Nada pedia
nem podia
só esperava as Flores de seu Senhor!

Alma triste
moribunda
em um Poeta acreditou!

Quando a lágrima escorria
tua voz doce aparecia
até que um dia ela se calou.


Anda a buscar
nas vozes a cantar
as palavras de seu clamor!

- Cara criança, ainda não sabes que o Poeta não conhece o Leitor?


Poemas de Della Coelho

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