segunda-feira, 31 de março de 2014

CARTA DE AMOR



“Meu Amor,

Nasceste e, em seguida,
eu nasci por te amar.
Distante ainda, embora cientes,
seguimos em direção ao nosso encontrar.

O tempo passava
e, na inocente fidelidade,
um ao outro, preces ao vento,
sonhos de Amor cada criança entoava.

Pelas vestes disfarçados
felizmente a Vida
nos colocou lado a lado.

O cheiro da relva exalava...
As Flores o Amor perfumava...
e, finalmente, em um belo Luar,
teu olhar me encontrava.

Após o reconhecimento,
nossos corações explodindo em sentimento
uniram-se como testemunhas de encantamento.

Dificuldades chegaram
e por muito pouco
não entregaste o Amor que te tenho
aos porcos que queriam torná-lo rouco.

A voz de teu coração
mais alto fez-se ouvir
e voltaste-me teus ouvidos
fazendo-me novamente sorrir.

Nada mais nos separaria
além da fatal visitante do último dia.

Nosso Amor foi ao leito consagrado
e nos céus eternamente foi ligado.

Em Felicidade incontida
o fruto de nosso maestria,
em dores de alegria,
segurando tuas mãos eu concebia.

Nada mais pode
inteiramente completo ser
que acordar com teu corpo desperto
podendo sentir-me em teus braços
aconchegando nosso menino já um ragazzo.

E, um dia, nesta data,
entregamos à doce conquista nosso legado...
clamando para que, como os pais,
possa sentir-se completamente realizado.

Voltamos um ao outro nossos pensamentos
compartilhando a cumplicidade em  nossos momentos
até que cessem nossos últimos tempos.

Escrevi esta carta, já de mãos enrugadas,
para , meu amado, te falar
que se for eu antes de ti,
quero que saibas que minha Vida
se realiza em ser amada por ti.
E, se pudesse eu mil vidas escolher,
escolheria todas as mil vezes
em que pude em teus braços adormecer.
Beijo-te e abraço-te mais uma vez
e  como em todas as noites
farei a prece que fiz desde o meu nascer...
Que nunca permita nosso Pai
que eu respire
se não for para em meus braços
tua vida eu acolher.

TE AMO...

PARA SEMPRE.”


De tão unidos
Possa algum sábio imaginar
que nem um minuto de vida
sem o outro
um possa passar.
E, na Imortalidade em ardor,
naquela mesma noite,
tornaram-se no céu,
duas Almas enlaçadas
inscritas no livro
do Eterno Amor.



 Poema de Della Coelho

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